A fé pode ser uma força poderosa — capaz de inspirar actos de amor, sacrifício e solidariedade. Mas quando combinada com fanatismo, delírios ou interpretações perigosas, pode transformar-se numa arma devastadora. Ao longo da história, várias pessoas cometeram actos horríveis, alegando que estavam apenas a obedecer às ordens divinas. Desde assassinatos até genocídios, estas figuras afirmaram, sem hesitar, que Deus lhes tinha dado instruções claras. E os resultados foram trágicos.
1. Abraham (Episódio Bíblico)
Vamos começar com um caso icónico da própria Bíblia: Abraão, que quase sacrificou o seu filho Isaac por ordem de Deus. Embora o anjo tenha interrompido o acto no último momento, a disposição de Abraão para matar o próprio filho é frequentemente vista como um teste de fé… mas hoje seria interpretada como uma potencial tragédia motivada por alucinação ou fanatismo.
2. David Berkowitz (Estados Unidos)
Também conhecido como “Son of Sam”, este assassino em série aterrorizou Nova Iorque nos anos 70. Matou seis pessoas e feriu várias outras. Quando foi preso, afirmou que um demónio — que se manifestava através do cão do vizinho — lhe tinha dito que precisava de matar. Mais tarde, declarou que foi Deus quem o guiou em parte desses crimes. Independentemente da origem, o resultado foi puro terror.
3. Luca Brasi, versão real: Herbert Mullin (Estados Unidos)
Este nome menos conhecido era um assassino em série dos anos 70 que acreditava que os seus homicídios estavam a impedir terramotos na Califórnia. Afirmava ter recebido mensagens telepáticas de Deus a dizer-lhe que as mortes eram necessárias para manter o equilíbrio natural. Matou 13 pessoas antes de ser preso.
4. Joseph Kony (Uganda)
Líder do grupo rebelde ugandês Lord’s Resistance Army, Joseph Kony auto-proclamou-se profeta de Deus e afirmou que tinha uma missão divina para instaurar um governo baseado nos Dez Mandamentos. Para isso, recrutou milhares de crianças-soldado, cometeu massacres e promoveu uma das campanhas mais brutais de que há registo em África nas últimas décadas.
5. Andrea Yates (Estados Unidos)
Em 2001, Andrea afogou os seus cinco filhos na banheira de casa. Disse às autoridades que Deus lhe tinha dito que os seus filhos estavam a ser corrompidos pelo pecado e que a única forma de os salvar era matando-os. O caso gerou enorme debate sobre saúde mental, fé e responsabilidade criminal. Acabaria por ser considerada legalmente insana.
6. Jim Jones (Guiana)
Fundador da seita Templo do Povo, Jones convenceu mais de 900 pessoas a cometer suicídio em massa em Jonestown, Guiana, em 1978. Usava uma combinação de manipulação religiosa, paranoia e medo. Alegava ter comunicação directa com Deus e ser ele próprio uma encarnação divina. O resultado foi um dos maiores suicídios colectivos da história.
7. Peter Sutcliffe (Reino Unido)
Conhecido como o “Yorkshire Ripper”, este assassino em série matou 13 mulheres entre 1975 e 1980. Declarou em tribunal que estava a cumprir ordens de Deus para eliminar prostitutas e “limpar as ruas”. Embora considerado mentalmente doente, foi condenado à prisão perpétua.
8. Charles Manson (Estados Unidos)
Apesar de raramente mencionar Deus directamente, Manson apresentava-se como uma espécie de figura messiânica, misturando a Bíblia com letras dos Beatles e teorias apocalípticas. Convencia os seus seguidores de que estavam destinados a iniciar uma guerra racial. Acabariam por cometer múltiplos homicídios, incluindo o de Sharon Tate, grávida de oito meses.
9. Michael Bray (Estados Unidos)
Pastor protestante e militante anti-aborto, Bray foi condenado por envolvimento em atentados a clínicas de aborto. Escreveu um manifesto onde afirmava que a violência era justificada e aprovada por Deus, para travar aquilo que considerava um “holocausto moderno”. É considerado um dos pioneiros do terrorismo religioso moderno nos EUA.
10. Mohamed Atta (Estados Unidos)
Líder de um dos grupos que sequestrou aviões no 11 de Setembro de 2001, Atta deixou uma carta detalhada onde pedia a bênção de Deus e afirmava estar a cumprir a Sua vontade. Embora o Islão condene assassinatos em massa, estes homens acreditavam que estavam em missão divina — com consequências devastadoras para o mundo inteiro.
A religião pode ser uma força para o bem — mas nas mãos erradas, torna-se uma justificação perigosa para os piores actos humanos. Quando alguém acredita que Deus está do seu lado, os limites da moralidade podem desaparecer. Estas histórias mostram como a fé cega, sem crítica ou compaixão, pode transformar-se em tragédia real.
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