O solstício de verão marca o dia mais longo do ano no hemisfério norte — um momento em que o Sol atinge o seu ponto mais alto no céu, e muitos acreditam que o mundo fica temporariamente mais próximo do divino. Este fenómeno, que ocorre por volta de 21 de Junho, sempre foi celebrado por culturas de todo o mundo. Mas enquanto alguns festejam com danças ou festivais ao ar livre, outros mantêm tradições… bastante peculiares. Neste artigo, vamos mostrar-te 10 rituais do solstício de verão que ainda se praticam nos dias de hoje — e que vão certamente fazer-te levantar uma sobrancelha (ou as duas).
1. Saltar sobre fogueiras — Europa de Leste e Península Ibérica
Na noite de São João, saltar sobre fogueiras é uma tradição com raízes pagãs que ainda sobrevive em países como Portugal, Espanha e vários do Leste Europeu. Diz-se que o salto purifica, afasta os maus espíritos e atrai boa sorte. Em algumas regiões, o número de saltos tem de ser ímpar, ou não conta. Literalmente: se queres sorte no verão, prepara-te para queimar os tornozelos.
2. Casamentos com árvores — Índia
Em algumas partes da Índia, acredita-se que pessoas nascidas sob certas configurações astrológicas trazem má sorte aos futuros cônjuges. A solução? Casam-se primeiro com uma árvore. Este casamento simbólico anula a má sorte… e depois podem casar com uma pessoa real. O que acontece à árvore? Nada de lua-de-mel — normalmente é cortada. Trágico, mas aparentemente eficaz.
3. Rolamento de rodas em chamas — Suíça
Na aldeia suíça de Küttigen, há um ritual chamado Feuerrollen, onde enormes rodas em chamas são lançadas colina abaixo durante o solstício. Dizem que representa o ciclo solar e afugenta espíritos maus. Também representa, provavelmente, um perigo de incêndio florestal, mas os locais juram que têm tudo controlado.
4. Danças com flores na cabeça — Suécia
O Midsommar sueco já é conhecido pelas suas danças em redor do mastro de flores, mas o que é estranho são os trajes. Coroas de flores? Sim. Cânticos sobre sapos a saltar? Também. Pessoas adultas a dançar como animais de quinta? Claro. É tudo muito bonito e muito pagão… mas visto de fora, parece uma performance improvisada depois de demasiado hidromel.
5. Banhos nus ao nascer do sol — Reino Unido
Em locais como o Lago District ou Cornualha, há quem celebre o solstício com mergulhos ao nascer do sol. E sim, em pelota. Diz-se que fortalece o corpo, a alma e liga as pessoas à natureza. Também liga à hipotermia, tendo em conta que mesmo em Junho, as águas britânicas estão geladas. Mas tradição é tradição.
6. Festival do Fogo de Kupala — Ucrânia, Bielorrússia e Rússia
Este festival eslava mistura tradições pagãs e cristãs e inclui rituais como saltar sobre fogueiras em casal para provar a força da relação, ou soltar coroas de flores num rio para prever o futuro amoroso. Também há quem procure samambaias mágicas no bosque. Spoiler: samambaias não dão flor, mas isso não impede a caçada.
7. Bênçãos em pedra — Irlanda
Na Colina de Tara ou em Loughcrew, ainda há quem suba aos antigos locais sagrados da Irlanda para deixar oferendas em pedras, recitar orações e agradecer ao Sol. Alguns deixam moedas, outros fitas, e há até quem fale com as pedras para pedir conselhos. Se a pedra responder, talvez o ritual tenha corrido bem. Ou talvez precises de ajuda profissional.
8. Pintura de rostos com cinzas — Letónia
Na Letónia, o solstício de verão (Jāņi) inclui canções tradicionais, saltos de alegria, e uma prática bizarra: pintar a cara com cinzas da fogueira da noite anterior, como forma de purificação. Também comem queijo com alcaravia e bebem cerveja artesanal… enquanto gritam pelos campos. É como um festival hipster, mas com rituais ancestrais.
9. Desfiles de gigantes — Catalunha
Em várias cidades da Catalunha, durante o solstício, há desfiles onde enormes figuras de papel machê — gigantes e cabeçudos — dançam pelas ruas. Alguns representam santos, outros demónios. Tudo é acompanhado por tambores e fogos-de-artifício. Nada diz “celebração do Sol” como um gigante com olhos esbugalhados a perseguir crianças.
10. Construções humanas em espiral — Peru
No Peru, o Inti Raymi (Festival do Sol), herança inca ainda viva, envolve grandes cerimónias nas montanhas. Além das roupas tradicionais e oferendas ao deus Sol, há um ritual específico em que os participantes se alinham em espiral e movem-se ao ritmo de tambores ancestrais, imitando o caminho do Sol no céu. Parece uma dança… até alguém desmaiar com o calor da altitude.
O solstício de verão é uma celebração da luz, da vida e da ligação entre a Terra e o cosmos. Mas também é uma desculpa para manter tradições bizarras, dançar de forma estranha, falar com pedras ou saltar por cima de fogo como se não houvesse amanhã. Independentemente da origem ou do grau de loucura, estas práticas mostram como o ser humano, em todas as épocas, procurou um pouco de magia quando o Sol está no seu auge. E tu? Já escolheste o teu ritual de verão?
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