No vasto percurso da Igreja Católica, entre os 266 papas que lideraram a instituição, Portugal teve também o seu contributo. Apesar de raros, os dois papas portugueses deixaram marcas na história, cada um à sua maneira. Vamos explorar as suas histórias, que misturam fé, política e até um pouco de intriga.
1. Papa Dâmaso I
O Papa Dâmaso I, o primeiro cidadão português a ostentar este título, nasceu em 305. Há alguma discussão sobre o local do seu nascimento, com Guimarães e Idanha-a-Nova como possíveis origens. Na altura, Portugal fazia parte do Império Romano, e Dâmaso só é considerado português em retrospectiva.
Eleito a 1 de outubro de 366, o seu pontificado durou 18 anos, até à sua morte a 11 de dezembro de 384. A sua ascensão foi tudo menos pacífica: enfrentou o opositor Ursino em confrontos sangrentos, que resultaram em centenas de mortes. Dâmaso teve até de responder a acusações de assassinato perante o Tribunal Imperial, algo que seria impensável nos dias de hoje.
Durante o seu pontificado, destacou-se pela defesa do cristianismo ortodoxo contra as heresias e pela promoção da tradução da Bíblia para o latim, conhecida como a Vulgata, a cargo de São Jerónimo.
2. Papa João XXI
O segundo papa português foi Pedro Julião Rebolo, mais conhecido como Papa João XXI. Nascido em Lisboa, em 1215, ele é muitas vezes lembrado pela sua personalidade humilde e académica. Médico, filósofo, teólogo, matemático e professor, Pedro Julião era um homem de grande sabedoria e conhecimento.
Eleito papa a 20 de setembro de 1276, o seu pontificado foi curto, durando apenas 8 meses, até à sua morte a 20 de maio de 1277. Durante este breve período, João XXI tentou reconciliar a Igreja Grega e a Igreja Ocidental, assim como libertar a Terra Santa do domínio turco. Ele também promoveu a unidade entre nações europeias, sempre com o espírito de cooperação cristã como bandeira.
Curiosamente, João XXI é a única figura portuguesa a aparecer na Divina Comédia de Dante Alighieri, estando no Paraíso, um testemunho do respeito que granjeou ao longo dos séculos.
Apesar das diferenças nos seus pontificados, tanto Dâmaso I como João XXI demonstram o impacto que os papas portugueses tiveram em momentos cruciais da história da Igreja Católica. Desde batalhas ferozes até esforços diplomáticos para a unidade, estes papas mostram que o legado português vai além das fronteiras geográficas. Afinal, até mesmo no Vaticano, Portugal deixou a sua marca.
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