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O que foi a Restauração da Independência?

O que foi a Restauração da Independência? - Cultura de Algibeira, Algibeira, Bolso, Cultura

Estamos de volta a mais um artigo sobre a história de Portugal! Depois de te falarmos sobre a Implantação da República, hoje é a altura de recuarmos 377 anos para te explicarmos o que foi a Restauração da Independência e as suas implicações para Portugal. Vamos a isto?

1 – O motivo do golpe de estado

Para perceber o que levou ao golpe de estado de 1 de Dezembro de 1640, é necessário recuar até à morte de D. Sebastião em 1580. Sem herdeiros, o trono português acabou por ficar nas mãos dos reis de Espanha, mas com garantia de uma monarquia dual, isto é, existiriam dois reinos na mesma, apesar da existência de apenas um rei. Passados 60 anos desde a tomada de poder espanhola sobre Portugal, D. Filipe III de Portugal e IV de Espanha procurava anular a independência do Reino de Portugal e, dessa forma, garantir a existência de apenas um reino em toda a Península Ibérica. Liderados por um grupo chamado d’Os Conjurados, os portugueses revoltaram-se e libertaram Portugal da governação espanhola.

2 – Os Conjurados

Os Conjurados foram um grupo nacionalista que nasceu clandestinamente durante a governação filipina do nosso país. Formado por cerca de 50 homens, 40 deles pertencentes à nobreza e os restantes a serem membros do clero ou militares, este grupo tinha o objectivo de destituir a Dinastia Filipina e aclamar um rei português. Esse objectivo acabou por ser alcançado a 1 de Dezembro, quando Os Conjurados invadiram o Paço da Ribeira onde apenas se encontravam a Vice-Rainha de Portugal, Margarida de Saboia, e o seu Secretário-Geral, Miguel de Vasconcelos. Com Margarida de Saboia a se esconder num armário e Miguel de Vasconcelos a ser atirado por uma janela, os invasores proclamaram D. João IV como rei de Portugal perante gritos de “Liberdade”. D. Filipe III de Portugal e IV de Espanha, que se encontrava a enfrentar uma revolução na Catalunha, acabou por não conseguir regressar a Portugal para assegurar o seu poder.

3 – O fim da União Ibérica

A União Ibérica foi a unidade política que regeu a Península Ibérica entre os anos de 1580 e 1640. Tal como te dissemos no primeiro ponto deste artigo, esta união foi feita sobre uma monarquia dual, garantindo a existência de dois reinos distintos apesar da existência de apenas um rei. Esta União Ibérica era algo que sempre havia sido desejado pelas coroas ibéricas e que, caso Miguel da Paz, o primeiro filho de D. Manuel I e Isabel de Aragão tivesse chegado a ser rei, poderia mesmo ter acontecido. Porquê? Porque este era Príncipe de Portugal e das Astúrias, com as cortes de Castela e Aragão a jurarem-no herdeiro das suas coroas. Miguel da Paz seria herdeiro das coroas de Portugal, de Aragão e de Castela, selando a paz entre os três reinos e criando um país comum. Sendo educado pelos avós maternos em Granada, o jovem príncipe morreu ainda antes de fazer dois anos de idade, destruindo todas as esperanças desta união. As coroas de Castela e Aragão foram então prometidas à irmã de Isabel de Aragão, casada com D. Filipe I de Portugal e II de Espanha, o que levou a uma junção não tão bem-vinda dos diferentes reinos. A União Ibérica acabou por cair com o golpe de estado de 1640.

4 – A escolha de D. João IV

Provavelmente estás a perguntar-te o que levou Os Conjurados a eleger D. João IV, Duque de Bragança, como Rei de Portugal, certo? Não, ele não era um dos membros desse grupo! O motivo é bem mais simples do que esse: D. João IV era descendente de D. João I! Na realidade, Os Conjurados só avançaram com as suas reuniões em busca da independência depois de falarem com o Duque de Bragança e terem a sua autorização para avançarem. Tentando explicar de forma simples a ascendência do primeiro rei da quarta dinastia da coroa portuguesa, este era o filho mais velho de Teodósio II, que era filho da Infanta Catarina de Guimarães, que era filha de Duarte de Portugal, que era filho de D. Manuel I, rei de Portugal. Conseguiste perceber, certo?

5 – O irmão do rei

Qual é a relevância do irmão do rei nesta história? D. João IV tinha um irmão mais novo, Duarte de Bragança que era um militar corajoso e que, em 1636 havia partido para a Áustria para participar na Guerra dos Trinta Anos. Em 1638, Duarte visita Portugal e, face à relutância do seu irmão em aceitar a proposta d’Os Conjurados, estes conspiradores chegaram a pensar eleger Duarte para assumir o trono. Apesar de nunca ter avançado para algo mais formal, era também duvidoso que este viesse a aceitar tal cargo sem a aprovação prévia do seu irmão. A verdade é que, em 1641, Duarte acabou por ser preso na Alemanha a mando do imperador Fernando III, respondendo assim a um pedido do seu aliado e primo D. Filipe III de Portugal e IV de Espanha. Apesar dos esforços de D. João IV, Duarte acabou por nunca ser libertado.

6 – A Guerra da Restauração

Como é óbvio, a história não acabou com o golpe de estado, já que em Madrid considerava-se D. João IV como um traidor ao saber da sua rebelião. Além de Madrid, a coroa filipina começou a espalhar essa versão pelas capitais europeias. E existia um problema militar em Portugal, o que levou a que fosse decretado a 11 de Dezembro de 1640 um Conselho de Guerra formado por 10 membros com experiência militar. Vários nobres consideravam mesmo uma traição esta ascensão ao poder de D. João IV, existindo até tentativas de assassinato do mesmo. Deu-se então uma guerra com Espanha não só na Península Ibérica mas também nas colónias, sendo que Portugal contou com o apoio de Inglaterra, França e Suécia. E, apesar da revolta da nobreza contra D. João IV, este teve o apoio da maioria da sociedade portuguesa, o que lhe permitiu recrutar vários voluntários para fazer face às necessidades humanas para a guerra com Espanha. Ao mesmo tempo, o rei também enviou diversos diplomatas às principais cortes europeias com o objectivo de conseguir o reconhecimento da independência de Portugal, bem como apoios financeiros e militares, argumentando ser um legítimo herdeiro do trono que havia sido roubado por D. Filipe I de Portugal e II de Espanha. Passaram-se 28 anos de resistência às tentativas de invasão espanhola e vitórias portuguesas nas frentes de batalha mais importantes até que, em 1668, foi assinado o Tratado de Lisboa que pôs fim à Guerra da Restauração.


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