Faz hoje seis anos que, a 27 de novembro de 2011, a UNESCO reconheceu o fado como Património Cultural Imaterial da Humanidade. E, para celebrar esta data tão importante, vamos explorar um lado menos conhecido deste símbolo da cultura portuguesa: a sua diversidade de estilos. Sabias que existem mais de uma centena de estilos diferentes de fado? Hoje, vamos conhecer alguns dos mais emblemáticos e entender como cada um deles conta uma história única da tradição musical de Portugal.
1 – Fado do Marinheiro
O Fado do Marinheiro é considerado o primeiro estilo que alguma vez existiu. Originário das embarcações portuguesas, era cantado pelos marinheiros à proa dos barcos, muitas vezes acompanhado por cantigas de levantar ferro e outras canções que eram comuns entre as tripulações. Este estilo serviu de base para os primeiros fados, e, embora não se saiba exatamente quando este estilo foi levado das águas para as ruas de Portugal, sabemos que ele representa a saudade e a vida dura dos homens do mar.
O Fado do Marinheiro ainda hoje é celebrado por ser o ponto de partida de uma tradição musical que atravessou gerações. A sua melodia simples e profunda revela a vida longe da terra, as esperanças e angústias de quem vive à mercê das ondas.
2 – Fado de Coimbra
O Fado de Coimbra é talvez um dos estilos mais românticos e melancólicos da tradição fadista. Surgiu como uma versão académica, cantado por estudantes universitários. Em Coimbra, os jovens vindos de outras cidades como Lisboa e Porto trouxeram consigo as suas guitarras e começaram a cantar sobre o amor não correspondido, o desgosto de deixar a cidade e, claro, a vida boémia da juventude universitária.
Até hoje, este faz parte das mais importantes celebrações académicas da cidade, como a Queima das Fitas. A sua característica principal é a sua interpretação ser quase sempre acompanhada por uma guitarra de Coimbra, em vez da tradicional guitarra portuguesa. Este estilo é sinónimo de saudade e nostalgia, com letras que falam de amores e despedidas.
3 – Fado de Lisboa
O Fado de Lisboa é aquele que todos imaginamos quando pensamos em fado. Este estilo, que surgiu nas tabernas e bordéis lisboetas no século XIX, caracteriza-se pela expressão da saudade e da melancolia típica dos bairros tradicionais de Lisboa. A história deste estilo é marcada pela figura de Maria Severa Onofriana, uma das primeiras fadistas a conquistar fama, que cantava a vida das classes populares, com temas como o ciúme, a nostalgia e o sofrimento.
Hoje, este estilo ainda é cantado nas casas de fado de Alfama, Bairro Alto, Mouraria ou Madragoa, onde turistas e locais se reúnem para apreciar esta tradição tão genuinamente portuguesa. A autenticidade do fado de Lisboa reside na sua capacidade de capturar as emoções do quotidiano e as relações interpessoais, tornando-o uma verdadeira representação da alma da cidade.
4 – Fado Vadio
O Fado Vadio vai além dos concertos e espectáculos profissionais. Este estilo é frequentemente associado a cantores amadores, que não buscam fama ou lucro, mas simplesmente querem exprimir as suas emoções através da música. Este estilo é uma forma de expressão espontânea, onde a arte do fado se mistura com a vontade genuína de partilhar sentimentos pessoais, sem qualquer pressão comercial.
Embora o Fado Vadio tenha sido muitas vezes considerado um estilo menor em comparação com outras vertentes, é a sua autenticidade e ligação à tradição popular que o tornam tão importante. Muitos dos fadistas profissionais começaram neste estilo, onde a música é vivida de uma forma mais pura e livre.
5 – Fado Corrido
Por último, o Fado Corrido é um dos estilos mais antigos, cuja popularidade remonta ao final do século XIX. Caracteriza-se por uma melodia simples, composta por apenas dois acordes, algo que o distingue dos outros estilos. Este estilo é frequentemente descrito como o acompanhamento ao canto do fadista, mais fluído e leve, e, muitas vezes, os músicos fazem-no de forma improvisada.
Este estilo continua a ser popular em algumas regiões de Portugal, particularmente nas zonas rurais, onde a sua simplicidade e facilidade de execução o tornam acessível a todos. Embora menos elaborado que outros estilos, o Fado Corrido conserva a essência do fado, com a sua profundidade emocional e a capacidade de contar histórias de vida.
Conclusão
O fado é uma arte viva e em constante evolução, mas com raízes profundas na história e na cultura portuguesa. Desde o Marinheiro, que nasceu nas ondas do Atlântico, até ao Fado de Lisboa, que ecoa nas ruas de Alfama, cada estilo traz consigo uma história única. Hoje, celebramos não só o fado enquanto Património Cultural Imaterial da Humanidade, mas também a riqueza e diversidade de uma música que, acima de tudo, expressa a alma do povo português.
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