Oito curiosidades sobre o Día de los Muertos

Entre a noite de 31 de Outubro e o dia 2 de Novembro, o México celebra um dos seus festivais culturais mais emblemáticos: o Día de los Muertos! Esta celebração, que tem profundas raízes ancestrais, é uma forma de homenagear as pessoas que já faleceram. Hoje, vamos partilhar contigo algumas curiosidades sobre este ritual fascinante, que mistura história, cultura e um toque de misticismo.

1 – O Motivo dos Festejos

O Día de los Muertos é uma celebração única no mundo, mas não está sozinha nas homenagens aos mortos. Em vários países, o início de Novembro é marcado por festas e rituais em memória dos falecidos. Por exemplo, em Portugal celebra-se o Dia de Todos os Santos a 1 de Novembro e no Brasil, o Dia de Finados ocorre a 2 de Novembro. No México, no entanto, a crença popular é de que os espíritos dos mortos têm permissão divina para visitar os seus familiares e amigos durante o festival, razão pela qual a festa se estende por dois dias, tornando-se uma verdadeira celebração da vida e da morte.

2 – Património Imaterial da UNESCO

Em 7 de Novembro de 2003, a UNESCO distinguiu o Día de los Muertos como uma Obra Mestra do Património Oral e Intangível da Humanidade. Esta distinção reconheceu a importância cultural do festival e a sua relevância como uma das tradições mais antigas e representativas da cultura mexicana. A UNESCO também sublinhou a importância de preservar este evento, resistindo à crescente comercialização da data. Para o México, o Día de los Muertos é um símbolo de resistência e de identidade cultural.

3 – Um Festival Ancestral

A celebração tem origens que remontam há mais de 3000 anos, quando as culturas asteca, maia, totonaca, purépecha e náuatle habitavam o que hoje chamamos de México. Essas civilizações já realizavam rituais em homenagem aos seus mortos, uma prática que incluía o uso de crânios de falecidos como troféus. Durante o Día de los Muertos, esses crânios eram utilizados em rituais que podiam durar mais de um mês, como forma de honrar os entes queridos que partiram.

4 – Altares de Homenagem

Uma das tradições mais bonitas do Día de los Muertos é a construção de altares dedicados aos falecidos. As famílias montam altares em casa ou em cemitérios, onde colocam fotografias, velas, flores (geralmente cempasúchil, uma flor laranja simbólica), frutas e figuras de santos. Esses altares são decorados com itens que os mortos apreciavam em vida, criando uma conexão simbólica com o mundo espiritual. O altar é uma forma de chamar os espíritos para que eles possam voltar à terra e se reencontrar com os seus entes queridos.

5 – A Evolução do Festival

Embora o Día de los Muertos tenha raízes profundas nas culturas indígenas, o festival tem evoluído ao longo do tempo. Originalmente, era uma cerimónia muito mais íntima e familiar, com um foco na memória dos falecidos. No entanto, com o passar dos anos, o festival foi se tornando cada vez mais uma festa pública e comercial. Hoje, em várias cidades do México, existem cortejos e desfiles, onde as pessoas se mascaram de esqueletos e desfilam pelas ruas, celebrando tanto a morte quanto a vida.

6 – La Calavera Catrina

Uma das figuras mais conhecidas do Día de los Muertos é La Catrina, uma representação do esqueleto de uma mulher da alta sociedade mexicana. Originalmente, a figura de Mictecacíhuatl, a deusa asteca da morte, presidia o festival, mas ao longo do tempo, La Catrina tornou-se o ícone principal da celebração. Ela é retratada como uma elegante dama com chapéu, e o seu esqueleto é decorado com flores e cores vibrantes. La Catrina é também o principal disfarce utilizado pelas mulheres mexicanas durante os festejos, tornando-se um símbolo da morte de uma forma alegre e festiva.

7 – Activismo Social

Embora o Día de los Muertos seja uma celebração da vida e da morte, também tem sido utilizado como uma plataforma para o activismo social. Ao longo dos anos, houve várias manifestações em que as pessoas se juntaram para homenagear mortos de causas sociais. Um exemplo marcante foi em 1997, quando trabalhadores da indústria do sexo realizaram homenagens às vítimas da SIDA. Outro exemplo importante ocorreu em 2016, quando manifestantes usaram o festival para protestar contra a violência contra as mulheres, criando uma poderosa combinação de memória e luta social.

8 – Día de los Muertos no Cinema

Nos últimos anos, o Día de los Muertos tem sido cada vez mais retratado no cinema, com destaque para os filmes The Book of Life e Coco. Ambos abordam a tradição de homenagear os mortos, levando os espectadores a uma viagem ao Reino dos Mortos, onde os personagens principais buscam os seus sonhos e resolvem questões familiares. Coco, em particular, foi um grande sucesso, ganhando vários prémios, incluindo o Óscar de Melhor Filme de Animação. Esses filmes ajudaram a divulgar a tradição e a cultura do Día de los Muertos a um público global, mostrando a importância da memória e da celebração dos que partiram.

O Día de los Muertos é, sem dúvida, uma das celebrações mais emocionantes e culturais do mundo. Com uma mistura de alegria e reflexão, é um momento para lembrar os entes queridos que já não estão connosco, ao mesmo tempo que se celebra a continuidade da vida. Que possamos, também, aprender com esta tradição e encontrar maneiras de honrar a memória daqueles que já partiram.

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